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BRASIL, Nordeste, FORTALEZA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Música, Gastronomia
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Nessa vida tive vários gostos, várias paixões, amei e desamei...Primeiro conheci a dor e o desamor, depois a amor...Aprendi a amar!!! Vida grato sou, de jeito que ainda estou vivo, mas sempre propenso ao desencanto...Não sei bem a causa disso, talvez meu jeito torto de ver as coisas, talvez meu jeito manso de me redimir do mundo das pessoas...Não sei, só sei que na lembrança das minhas perdas precoces, apaixonei-me por uma camaleoa, presente de minha avó...Por algum tempo fui feliz...A camaleoa? Criava no meu quintal, entre pequenos crotes, plantas domésticas...Tratava-a como relíquia...Em casa era com quem conseguia dialogar horas e horas...Dei-lhe o nome de “Aquarela”, suas cores imponentes, era sempre primavera...E quando ela me via, assumia-lhe uma cor laranja - vermelha ou quase roxa, que eu acreditava ser paixão...Numa manhã sombria “Aquarela” sumiu e chorei por longos dias, dias silenciosos, sem cor...Para afastar a dor, dei pra investigar o sumiço de “Aquarela”, com certeza ela não me abandanora...Removi as plantas, vasculhei o quintal metro por metro...Com uma vassoura espanei o teto e apavorado vi cair lentamente ao frio chão, a calda ressecada, sem cor e sem brilho, restos mortais da minha amada camaleoa...Deduzi tudo: o assassino era o famigerado gato da vizinha, e passei longos meses fazendo angú envenenado, e rebolava para o muro de onde vinha aqueles miados...Em vão foi minha luta...E por isso ainda hoje sinta essa sede de vingança...Matar gato são sete anos de atraso, alguém me adverte...Depois cudei de um canário, de perninha quebrada, enfaixei-o e lhe dei carinho, logo recuperou-se...E toda manhã ele cantava para me despertar...Pedi-lhe que me ensinasse a voar, mas com meu peso era impossível, e aprendi a voar de outra forma, e fui feliz...Numa manhã sombria, não ouvi seu cantar - Dormi fora de casa - Depois do alvoroço e do embaraço, corri para o meu canário...Somente suas penas perduravam na gaiola...- Foi comido e engolido por uma ratasana, assim como você-. Esbravejou meu pai...Chorei por longos dias, meses, anos...e quase morri...Depois veio a razão e dias mais a menos, calmos e serenos...E conheci o mundo da escrita, das entre linhas, e lembrei-me da Camaleoa e do Canário, e senti meu coração bater da mesma forma...



 Escrito por Felipe às 21h50
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